A contrário do que muitos imaginam, há muitos negros no Sul e é cheio de gente com cabelo crespo 🙌🙌🙌 Só em Porto Alegre mais de 20% da população é negra.

Há dois domingos (15/11) aconteceu a Marcha do Orgulho Crespo em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul e eu tive a felicidade de estar presente e ver tanta gente bonita e feliz com seu cabelo. A primeira Marcha aconteceu no mês de julho, em São Paulo e foi organizada pelas meninas do Blog das Cabeludas (@blogdascabeludas) e a ideia se espalhou pelo Brasil (ainda bem!)!

Apesar de o título ser “Orgulho Crespo” a marcha não se resume a apenas o próprio cabelo. É um resgate de auto estima, valorização da cultura negra, a questão de identidade e o registro da resistência em nós mesmos. Muitas pessoas começam a autoafirmação e aceitação negra através dos cabelos (de certa forma foi o meu caso) e isso é maravilhoso!

Foi um encontro lindo, onde haviam pessoas (principalmente mulheres) de todas as idades e tipos de cabelo. Aproximadamente 400 pessoas afirmando gostarem do que veem no espelho e do que sentem em sua alma.

Abaixo algumas fotos maravilhosas desse evento tão lindo:

~ Não esqueçam de abrir cada uma delas para ver essas cores no tamanho real da foto!

E ainda tive o prazer de encontrar pela primeira vez algumas leitoras (agora amigas!) e fiquei tão tão feliz! Amei conhecer vocês! Aqui algumas:

Ansiosa para a próxima marcha!

 

Grande beijo,

Duda @negraecrespa

Polêmica atrás de polêmica.

Meu objetivo não é dar ibope a uma suposta “opinião” completa de racismo, preconceito e desconhecimento que ocorreu há alguns dias atrás. Não vou aqui julgar alguém que nem tem noção do que diz, muito menos uma revista que está acostumada a espalhar discursos carregados de preconceito (e uma hora terá que parar!!!). Eu quero falar do lado bom dessa história, da mobilização de muita gente para defender o que não deveria precisar de defesa. A mulher do “cabelo ruim” (que de ruim não tem absolutamente NADA), de cabelo crespo, a mulher com trança, a mulher dona de si e que tem o cabelo livre para fazer o que bem entender.

Esse post é para celebrar essas mulheres (e homens!) e mostrar a beleza delas.

Lembro quando eu era pequena e cheguei a fazer tranças, eu tinha uns 12 anos e passei uma semana feliz da vida! Como era com cabelo natural e demorou para fazer, não repeti. Mas tenho curiosidade. Depois das fotos que selecionei para colocar nesse post, a vontade veio com força total. Talvez eu faça em breve.

As tranças, além de ser uma questão de estilo, personalidade e mudança de visual. É um escape para quem está em transição capilar. A quem diga que o cabelo cresce mais rápido, mas não há comprovação. Mas a certeza é que ajuda muito nessa fase, principalmente para não precisar conviver com a fase mais complicada dessa transição que é estar com duas texturas muito diferentes no cabelo (parte lisa e cacheada/crespa).

Hoje em dia não é mais tão comum tranças com o próprio cabelo. Procurando fotos de inspirações, percebi que estão sendo usadas muitas tranças box braids, nagô. Que são aquelas que são com cabelo sintético e o resultado fica massa!

A seguir, algumas fotos dessas mulheres (entre celebridades e leitoras 💚) maravilhosas que aderiram as tranças para dar um toque lindo no visual.

Trança vale em qualquer idade, qualquer cor, qualquer tamanho. Que seja livre! Clique em cada foto para ampliá-la.

“Qual foi o idiota que concluiu que meu cabelo é ruim? Qual foi o otário equivocado que decidiu estar errado o meu cabelo enrolado? Ruim pra quê? Ruim pra quem? Infeliz do povo que não sabe de onde vem.”

Trecho de Milionário do Sonho, poema já comentado em post anterior (clique aqui para rever).

Grande beijo,

Duda @negraecrespa

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Foi assim. Do nada. Conversando com minha amiga decidi eliminar a coisa estranha que estava meu cabelo e digo estranha, porque apesar de ser meu, não era meu.

Desde os 3, 4 anos de idade faço amaciamento (intervenção química capilar com amônia para diminuir o volume da raiz), é, super nova mesmo. E entendo minha linda mamãe por me colocar nesse Universo. Como eu já disse antes, não há negros ou descendentes na minha família, ninguém tinha um cabelo semelhante ao meu para lidar. Até que o cabelo da minha mãe era volumoso e cacheado (em algumas fases da vida), mas mesmo assim ela não gostava e tinha alguns truques para mudar isso. Enfim, eu vivia com cabelo bem preso, bem puxado (lindo, mas TODOS OS DIAS? Haha). Então minha mãe me levou para o salão de cabeleireiro bem cedo e com o procedimento poderia usar o cabelo solto, já que o volume era o inexistente, sendo assim, mais fácil de arrumar. Esse ritmo de amaciamento na raiz era muito bom na época. Ele tirava o volume, mas não os cachos.

Até que chegou o dia em que o amaciamento já estava no cabelo inteiro, da raiz às pontas, por conta do crescimento do cabelo, e ficou muitos anos assim. Sem ter o que fazer com ele, no primeiro mês de amaciamento uma beleza nos outros uma coisa “SEM”: sem vida, sem volume, sem cachos. Eu não tinha muita opinião sobre, não entendia muita coisa e nem conhecia muitas crespas ou cacheadas. Só ouvia dizer o quanto era difícil ter cabelo cacheado/crespo. Sempre. Conheci a escova e a chapinha (primeiro achei que não pegaria no meu cabelo por nada, mas pegou!) e me apaixonei pelo resultado! Achei que tinha achado a solução para cabelo bonito por mais tempo e usei bastante mesmo!!!
No ensino médio, um pouco mais madura eu queria MUITO ter cabelo cacheado e achava que não poderia mais, pelo menos não com aquele cabelo e cheguei a pensar em permanente, mas mudar a rotina e fazer química com química… Melhor não!
Eu nem tinha noção de que aquela raiz crespa e volumosa seria minha salvação. Eu sempre quis escondê-la, porque ela me atrapalhava bastante.
Entrei na faculdade que apesar de ser de Exatas, muito aprendi sobre o meu próprio ser, principalmente com colegas. Busquei pesquisar mais sobre o assunto de ser negro com “cabelo duro” e me ver cada vez mais incluída nesse universo.
Conheci algumas blogueiras que falavam sobre transição capilar e que o modo mais rápido seria fazendo o corte de toda química, o BC (Big Chop). Fui pensando e no sétimo mês após o último amaciamento aconteceu o Grande Corte. Minha libertação! E o engraçado é que parece que não foi um simples corte de fios, foi um presente que dei a mim mesma! Um gesto de amor próprio ☺ Eu gostaria que todos tivessem essa sensação!

Enfim, foi mais ou menos isso. Sou muito mais feliz e tenho algo importante a dizer: cabelo crespo ou cacheado não é difícil de lidar.

Histórico dos últimos anos:

  • Com amaciamento:

cabelo com amaciamento

  • Com cabelo liso (amaciamento e chapinha):

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  • Em transição:
  • transiçãoDias pós BC:
  • posbcHoje em dia (2 anos natural)

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Grande beijo,
Duda @negraecrespa

“Tendo um cabelo tão bom, cheio de cacho em movimento, cheio de armação, emaranhado, crespura e bom comportamento, grito bem alto, sim! Qual foi o idiota que concluiu que meu cabelo é ruim? Qual foi o otário equivocado que decidiu estar errado o meu cabelo enrolado? Ruim pra quê? Ruim pra quem?
Infeliz do povo que não sabe de onde vem
Pequeno é o povo que não se ama, o povo que tem na grandeza da mistura o preto, o índio, o branco, a farra das culturas
Pobre do povo que, sem estrutura, acaba crendo na loucura de ter que ser outro para ser alguém”

Trecho de Milionário do Sonho – Elisa Lucinda (MARAVILHOSA!)


Recitado pela autora e Emicida no álbum: O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui, Emicida (2013)

Para começo de conversa: isso não se trata de cabelo apenas, isso é sobre a liberdade de ser quem se é e de aceitar a diversidade a sua volta. O que importa é ser do bem e nada mais. O Brasil é mistura, o Mundo é mistura. Ninguém aguenta mais a ditadura da perfeição, o preconceito velado chega! Quem ainda não entendeu, má notícia: deve se acostumar. E o movimento dos “oprimidos” está e vai continuar crescendo. Porque eles (nós!) já entenderam que têm voz. Eu ainda acho estranho ter que falar disso. Estamos em 2015, POXA! É difícil pensar que as pessoas gostam de ver que tá tudo igual, todo mundo com a mesma cabeça, com o mesmo físico, com as mesmas palavras. A diferença é tão linda!

Meu primeiro desejo com a página no instagram e depois aqui foi incentivar a auto estima, acho que isso liberta da prisão de não ser você mesmo e abre a mente para aceitar o próximo.

Vamos nos amar e respeitar o próximo? É bem fácil. Desafio a cada um de vocês.

Por fim, fui superficial e não era esse o meu objetivo, mas, por ora é isso.

Grande beijo,

Duda @negraecrespa

Olá, lindezas!

Estou extremamente feliz de começar essa nova plataforma de contato com vocês.

Com o crescimento da página no instagram, senti a necessidade de um ambiente que eu pudesse colocar mais fotos e texto sobre uma questão só. Se você é nova na família #negraecrespas, clique aqui para dar uma olhada lá para ver o conteúdo de lá.

Primeiro tema é o início de tudo, a razão de eu estar aqui, escrevendo para vocês (saiba mais na página “Sobre”): liberdade capilar e as razões pelas quais é bom optar por essa autonomia.

1º O cabelo que mais combina com você é o que você nasceu.

Não tem jeito! O corpo humano é tão perfeito que até o nosso cabelo veio especialmente para nosso formato de rosto e tom de pele.

A saúde do cabelo irá melhorar muito.

Quando a química é deixada de lado e o cabelo começa a ser tratado com aquilo que é especial para ele, você irá notar a diferença. Tudo muda. Ele deixa e cair tanto, cresce no tempo dele, a aparência melhora.

Acerto nos cuidados.

Como assim “acerto nos cuidados”? Você saberá exatamente o seu tipo de cabelo e vai cuidar dele com os produtos que ele necessita.

Quando estamos com química para alisá-lo, relaxá-lo ou qualquer outra, ficamos sem saber direito como cuidar deles. Pouco se fala dos cuidados de manutenção dos cabelos com química, perceberam isso? Há muitos produtos para cabelos “quimicados” kkk mas não define o tipo da química, algumas são mais agressivas que outras, então como escolher esses produtos?

E o cabelo natural até não tendo tanto cuidado continua sendo melhor.

A própria liberdade capilar.

Você pode ficar um dia lisa, outro ondulada, outro cacheada, enfim. Usar chapinha, babyliss, secador (desde que que cuide direitinho e com moderação), mas terá a liberdade de ter o cabelo como quiser e quando quiser. Sem determinar uma única forma a eles.

MOTIVO EXTRA:

Automaticamente, você se sentirá mais forte e mais dona de si mesma.

Então, para começo de conversa é isso. Espero que tenham gostado e fico feliz com a presença de vocês aqui. Abram a página “#Negrasecrespas” e vocês entenderão que farão parte disso aqui sim!

Beijão,

Duda @negraecrespa